COMENTARISTA, ATOR, ESCRITOR...
Um dos mais conhecidos comentaristas de carnaval do Brasil - além de escritor, pesquisador e ator - Haroldo Costa foi um dos convidados do"Esquenta!" de carnaval neste domingo (19). A história do carnaval carioca, os fatos da conexão entre o morro e o asfalto e o início da valorização da cultura negra pelo cinema e pelo teatro passam por ele. Haroldo interpretou o personagem principal da festa "Orfeu da Conceição", escrita por Vinicius de Moraes. Na época, ele fazia parte do Teatro Experimental do Negro. Atualmente, o papel é interpretado em uma remontagem da peça por Erico Bras - os dois se encontraram no palco do programa e leram o poema de Vinicius que abre a peça, "São demais os perigos desta vida".
"O Haroldo deu início a tudo que a gente conquistou a duras penas para que a gente pudesse ter o negro no teatro e no cinema. Se hoje temos Lázaro Ramos, Bando de Teatro Olodum, 'Cidade dos homens', 'Cidade de Deus', a raiz está nesta inteerpretação do Haroldo em 'Orfeu da Conceição'", disse Regina. Haroldo fez questão de lembrar que é preciso lembrar Vinicius de Moraes, que escreveu a peça. "Temos que reverenciá-lo todos os dias. Ele escreveu esssa peça num barracão de samba. E daí nasceu muita coisa, até a bossa nova, já que nessa época ele conheceu o Tom Jobim".
Haroldo detalhou também o que é uma escola de samba. "A bateria é importante pela intuição. Eles não precisam só mantem o andamento do samba, mas têm que criar vários andamentos rítmicos", diz. "Escola de samba é um milagre. É o único espetáculo do mundo que não tem ensaio geral. A gente vê como é no dia".
A carreira de Haroldo inclui também muitos livros falando sobre a história do samba -como "Salgueiro: Academia do samba", de 1984, falando de sua escola do coração, "100 anos de carnaval no Rio de Janeiro", de 2001, e o fundamental "Fala, crioulo", lançado em 1982 e reeditado em 1998, com depoimentos de negros conhecidos e anônimos, e sua luta diante da sociedade.
Foto: Divulgação
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